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segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia 101 – Vadia, eu?

Provavelmente se pegarmos um dicionário informal de gírias em português, vamos ver que a definição de mulher vadia gira em torno dos termos vagabunda, promíscua, prostituta e afins. Discordo.

Na minha opinião vadia é aquela mulher que é cruel. Ponto. Cruel em todos os sentidos. Ela é cruel quando trata mal as pessoas ao seu redor, quando dá patadas a torto e a direito, quando magoa ou ofende quem está por perto. Vadia para mim é aquela mulher que não se importa com os sentimentos alheios, que é incapaz de sentir empatia por qualquer ser humano, que constrói sua vida em torno dos seus desejos e de suas vontades. Vadia é aquela mulher que usa do sarcasmo e da ironia para diminuir os outros, que entra numa discussão pelo simples prazer de discordar, e que sente um prazer quase sexual quando ganha qualquer tipo de disputa. Mulher vadia é aquela mulher arrogante, prepotente e cheia de si, que vive como se ela se bastasse e como se os outros seres humanos não passassem de acessórios. Vadia é a mulher que não sente a consciência pesar quando manipula as pessoas, quando usa chantagem emocional ou até seus atributos físicos para conseguir o que quer.

Eu fui uma vadia nessas duas últimas semanas. E por isso parei de escrever. Porque não seria minimamente decente da minha parte falar sobre auto-conhecimento quando eu estava experimentando a fase mais baixa da minha evolução espiritual. Auto-punição. Funcionou pra mim.

Me permitam explicar antes que vocês saiam correndo daqui e nunca mais apareçam para ler meus escritos. Desde o Carnaval eu ando no limite das minhas forças físicas. E, junto com elas, foram embora também a maior parte das minhas fortalezas psíquicas, minha auto-estima e o meu bom senso. Entrei num esquema alucinante de trabalhar 12 horas por dia, 7 dias por semana, e assistir aulas super pesadas a manhã inteira depois de dormir apenas 3 horas. Resumindo: meu corpo deu pau e com ele, minha mente.

Eu estava tão cansada, mas tão casada, que mal conseguia enxergar um palmo diante do meu nariz. Meu cérebro foi ligado no automático, coisas a fazer, decisões a tomar, trabalhos a entregar, contas a pagar. Todos os meus desejos se resumiam à parte mais animal do meu ser: estou com sono, estou com fome, estou com sede. Quero chegar em casa, quero acordar no horário, que ler aquelas mil páginas do meu livro, quero entregar o projeto para o meu chefe. Fiquei irritadiça, intolerante, inflexível, grossa, de mau humor crônico. Qualquer pessoa que me desviasse do meu caminho era um inimigo em potencial. Qualquer amigo que viesse pedir conselhos amorosos era um fardo. Qualquer colega que deixava o trabalho a desejar era um incompetente.

Deu algum tipo de ‘tilt’ no meu cérebro que me tornou absolutamente sincera. Aquela sinceridade que não chega nem perto da honestidade, e sim da crueldade. Magoei pessoas, disse muitas coisas que não devia, arrumei brigas com o namorado, com os amigos, com os colegas de trabalho, com meu sogro. E não, não era TPM, nem inferno astral, nem depressão, nem falta de sexo: parecia que um exu dos fortes havia tomado conta do meu corpo, disposto a arruinar tudo o que eu havia construído.

Já diz o ditado que aqui se faz, aqui se paga, não é? Quando me veio a consciência de que eu estava vomitando todo o meu cansaço nas pessoas que eu gostava, que eu estava descontando minha frustração nas costas e caras alheias, fiquei um lixo. Chorei como se eu fosse a única sobrevivente de uma tragédia. Me amaldiçoei, me critiquei, fui muito, mas muito cruel comigo mesma. Pensei em abandonar a faculdade, o trabalho, o namorado, o blog. Que tipo de ser humano eu havia me tornado? Logo eu, que estou há anos trabalhando um pouquinho todos os dias para tentar ser uma pessoa mais sã e equilibrada?

E aí foi a vez de toda essa crueldade se voltar contra mim: minha boca estourou com mais de 7 bolhas, peguei gripe e conjuntivite na mesma semana, o lugar onde estava meu dente do siso, há anos atrás, começou a me dar choques que se espalhavam por toda a minha mandíbula. Minha gastrite atacou, sentia dores nas costas terríveis, e a insônia voltou com força total.

E foi aí que a coisa mais emocionante do mundo aconteceu! Todas as vítimas das minhas patadas e grosserias vieram cuidar de mim. Meu namorado se incumbiu dos remédios e das refeições, um amigo conseguiu os livros para a faculdade num sebo da cidade, minha mãe veio com um caixa de suplementos vitamínicos, um outro amigo me levou para o hospital, uma colega de trabalho fechou alguns projetos pendentes para mim, meu chefe diminuiu a minha carga horária, meus colegas da faculdade se responsabilizaram pela entrega dos trabalhos. E eu, sem entender nada, pensando “Porque é que vocês estão cuidando de mim? Vocês deveriam estar apontando o dedo na minha cara e dizendo bem feitoooo!!”.

E aí meu namorado vira para mim e diz: pare de se punir desse jeito que você vai desenvolver um câncer! Todo mundo tem seu dia de vadia!


Lição do Dia: me recuperando.

Pendências: em ordem, graças a ajuda recebida.

Escreva para a Vero: eueoslobos@gmail.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dia 90 – Eu não vou... (republicado)

Para continuarmos com o nosso estudo do livro vou republicar os últimos 4 posts sobre o conto iniciado em dezembro passado.

Capítulo 10 – As águas claras: O sustento da vida criativa

Contos: La Llorona, A Menininha dos Fósforos e Os três Cabelos de Ouro
(Link para as três histórias completas no menu à direita)

O rio em chamas

“Complexos psicológicos negativos se erguem e questionam seu valor, sua intenção, sua sinceridade e seu talento. Eles também lhe enviam mensagens no sentido de afirmar inequivocamente que você deve trabalhar para "ganhar a vida", fazendo coisas que a deixam exausta, que não lhe permitem nenhum tempo para criar, que destroem sua vontade de imaginar. Alguns dos castigos e das sabotagens preferidos dos complexos malévolos perpetrados contra a criatividade das mulheres giram em torno da promessa feita ao self da alma de que terá "tempo para criar" em algum ponto no futuro remoto.”

Nossa, e como os nossos complexos psicológicos negativos nos torturam não é? Percebo agora que há anos eu tenho acreditado em suas mensagens. Não é uma loucura que eu não permita que ninguém ao meu redor julgue os meus sonhos, mas permito que o complexo negativo dentro da minha psique o faça?

No final desse ano eu comecei a estudar um pouco mais sobre a PNL (Programação Neuro Lingüística) que estuda os resultados na nossa vida prática de mudanças no padrão dos nossos pensamentos. A lógica é simples: pensamentos geram sentimentos, sentimentos geram comportamentos, comportamentos geram ações, ações geram resultados. A maior parte das pessoas empaca exatamente na fase dos pensamentos. Se escutarmos os complexos negativos de nossa psique vamos gerar sentimentos ruins de impotência e falta de capacidade, que vão nos fazer auto-boicotar nossas ações e gerar resultados que não queremos ou simplesmente não gerar nada.

A primeira vez que escutei sobre isso pensei ‘Nossa, mas é óbvio! É só mentalizar nas coisas que quero parar de fazer!’. Mas de nada adiantou... Por quê?

Um dos exercícios mais básicos da PNL nos mostra qual o grande problema das frases negativas: nos sempre fazemos o que nos dizem para não fazer. Exemplo:

Não pense num urso polar!!!

Automaticamente pensamos num urso polar. Nosso cérebro não entende o não no começo da frase, então fazemos exatamente o contrário do que falamos. Por muito tempo eu tentei variadas técnicas de mudança de pensamento e todas deram errado. Eu ficava repetindo mentalmente: ‘não vou focar nos problemas’, e focava cada vez mais nos problemas, ‘eu não vou ficar triste’, e automaticamente eu me lembrava de porque estava triste e ficava mais triste ainda.

Então eu comecei a entender que eu deveria formular essas ordens mentais de uma forma diferente: transformá-las em frases positivas de afirmação. Vou contar para vocês como estou destruindo algumas mensagens do meu complexo negativo:

Enquanto você não tiver um diploma ninguém vai te dar valor (complexo negativo)
Eu não vou acreditar que meu valor se reduz a um diploma (foco no diploma)
Minha experiência é o que tem mais valor (foco na experiência)

Você nunca vai ganhar dinheiro porque seu currículo é todo retalhado (complexo negativo)
Eu não vou subestimar o meu currículo (foco no currículo)
Meu currículo conta a minha história e eu tenho orgulho dela! (foco na minha história)

Primeiro compre o seu apartamento, depois faça o que gosta (complexo negativo)
Eu não considero a compra de um apartamento uma meta (foco na compra do imóvel)
Minha meta são as experiências de vida (foco nas experiências de vida)

Você é irresponsável (complexo negativo)
Eu não sou responsável com o que não faz sentido para mim (foco em não ser responsável)
Eu sou responsável com o que acredito (foco em ser responsável)

Você não é uma pessoa criativa (complexo negativo)
Eu só não sou criativa com as artes (foco em não ser criativa)
Eu sou criativa na resolução de problemas (foco em ser criativa)

Pare de sonhar e comece a juntar dinheiro (complexo negativo)
Eu não vou focar no dinheiro (foco no dinheiro)
Dinheiro para mim é conseqüência de um trabalho bem feito (foco no trabalho)

Embora ainda não esteja vendo resultados concretos (porque afinal eles não caem do céu apenas com a boa vontade) já estou sentindo um grande alívio emocional. Ainda não consegui modificar 100% dos meus comportamentos e ações, mas já estou sentindo uma paz crescer dentro de mim na medida em que os complexos negativos perdem a sua força.

“Pode acontecer que as vozes sussurrem, "Só se você terminar o doutorado, sua obra será decente. Só se você for elogiada pela rainha; só se você receber o prêmio tal, só se sua obra sair na revista tal, só se, só se, só se." Essa atitude de condicionar o impulso criativo equivale a entupir a alma com alimentos que não nutrem. Uma coisa é receber qualquer tipo de comida, outra bem diferente é ser realmente nutrida. Com enorme freqüência, a lógica do complexo é extremamente falha, muito embora ele tente convencê-la do contrário.”

“No processo de criação envenenado ou paralisado, a mulher oferece ao belo self da alma "comida de mentirinha". Ela tenta ignorar a condição do espírito. Assim, ela consegue freqüentar um "seminariozinho" aqui, um "cursinho" ali, arranja um "tempinho" para ler mais adiante. Mas, no final das contas, falta a substância. A mulher não está enganando ninguém a não ser a si mesma.”


Lição do Dia: destruição em massa dos complexos negativos

Pendências: separando o meu foco de verdade do foco dos meus complexos negativos.

Leia os três contos: La Llorona, A Menininha dos Fósforos e Os três Cabelos de Ouro: http://querocorrercomoslobos.blogspot.com/p/os-tres-contos-la-llorona-menininha-dos.html

Escreva para a Vero: eueoslobos@gmail.com

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Dia 86 – 7º dia da Dieta Mental

Último dia da Dieta mental: relato da histeria do meu sistema de alarme, vulgarmente conhecido como auto-boicote, e a minha surpresa ao descobrir que a determinação dele beira à loucura. Mas até aí, a minha também.

Sistema: Pois é, quem diria, contra todas as estatísticas você entrou na faculdade...
Vero: Pois é, entrei! Não é que sou mais capaz do que imaginava?

Sistema: Bom não era nada mais do que a sua obrigação. Afinal, essa é o que? A quarta faculdade que você começa, não é mesmo?
Vero: Sim, e dessa vez eu tenho uma determinação que eu não tinha antes. Nunca me senti tão pronta para lutar pelo meu diploma!

Sistema: E se você odiar o curso?
Vero: Isso é improvável.

Sistema: Improvável, mas possível.
Vero: Se eu for lidar com a possibilidade de que tudo de ruim no mundo pode acontecer, eu nem sairia de casa.

Sistema: Você acha que já está tão melhor assim?
Vero: Acho que melhorei bastante, e pretendo continuar na terapia.

Sistema: E se perceber que esse curso não vai mudar nada na sua vida?
Vero: È claro que vai, vou ter conquistado mais um objetivo pessoal.

Sistema: Você sabe que será de longe a aluna mais velha do curso, não sabe?
Vero: É isso que me faz estar mais apta para terminá-lo!

Sistema: Se imagine agora numa sala cheia de crianças de 17 anos.
Vero: Imagine o suporte que posso dar para que eles.

Sistema: Você já soa como velha!
Vero: Bom, já estou passando creme anti-sinais não é mesmo?

Sistema: Você trabalha mais de 10 horas por dia, com que tempo vai se dedicar aos estudos?
Vero: Com o tempo que antes eu me dedicava à minha vida social, com o tempo que eu desperdiçava como um zumbi na frente da TV, com o tempo que eu tinha para cuidar da vida pessoal dos meus chefes.

Sistema: Vero, seja realista, você trabalha demais, costuma dormir de madrugada, sua aula não vai começar às 8hs da manhã?
Vero: Bom, no começo a adrenalina vai me fazer ficar de pé. Depois, quando as aulas deixarem de ser novidade, a cafeína vai. Em um, dois meses no máximo, meu relógio biológico já vai estar na linha.

Sistema: Haha, você acordando às 7hs da manhã! Não foi exatamente essa a vida que você sempre disse que nunca iria ter?
Vero: Quatro anos passam voando, eu sei disso melhor que ninguém. Quando eu piscar, já vou estar terminando.

Sistema: Sim, vai estar terminando quando estiver entrando na menopausa!
Vero: Filhos ainda não fazem parte dos meus planos, um diploma faz.

Sistema: Espere até seu relógio biológico entrar em histeria!
Vero: Minha mãe teve os filhos durante a faculdade, ela hoje tem 3 diplomas. Não é impossível! E olha que naquela época para uma mulher isso sim era improvável!

Sistema: Você vive de um salário tão baixo quanto de uma estagiária, já parou para pensar que seus gastos vão aumentar com os estudos? Dá onde você vai tirar mais dinheiro?
Vero: Meus gastos vão ser exatamente os mesmos, o que eu vou gastar com transporte, alimentação e livros extras, vai ser quase o que eu gasto hoje com a minha vida social.

Sistema: Você deveria era pensar em arrumar um emprego com um salário decente.
Vero: Uma coisa de cada vez, um diploma com certeza vai abrir mais portas para mim.

Sistema: Claro, você vai sair da faculdade e competir com uma galera 15 anos mais nova do que você!
Vero: Eles vão começar do zero, eu já estou na área há anos. Meus 15 anos mais contam a meu favor, e não contra mim.

Sistema: Você não vai conseguir um bom emprego mesmo com o diploma! Você não fala inglês, não tem dinheiro para fazer um bom curso de línguas, não tem especialização no exterior...
Vero: Só as empresas formais exigem todos esses pré-requisitos, e eu nunca quis trabalhar num lugar assim. Eu tenho 4 anos para pegar a fluência no idioma. Sabia que na USP tem cursos ótimos de línguas com valores super acessíveis para os seus alunos?

Sistema: Você vai ter que usar terninho e salto alto, você odeia isso!
Vero: Uma empresa que me contratar com as minhas tatuagens, não vai ser o tipo de empresa que exige terninho e salto alto.

Sistema: Certo, então se imagine formada e desempregada. O fracasso profissional é uma realidade nesse país.
Vero: Eu larguei minha primeira faculdade para ser garçonete com a maior felicidade do mundo. Fracasso é uma palavra tão relativa pra mim...

Sistema: Você é super irresponsável, é possível que no meio disso descubra um novo sonho para perseguir.
Vero: A capacidade que eu tenho de largar tudo e ir atrás de um novo sonho não se chama irresponsabilidade, se chama coragem.

Sistema: E se isso acontecer de novo, você vai jogar no lixo todo esse esforço!
Vero: Não existe nenhum esforço nesse mundo que seja em vão.

Sistema: Então você está me dizendo que vai se matar para começar um projeto que vai exigir sua total dedicação, um projeto que talvez não te leve para lugar algum, e que ainda é possível que você mude de idéia depois?
Vero: Absolutamente.

Sistema: Você é a própria definição de loucura.
Vero: Você também!


Lição do Dia: tenha uma DR com o seu sistema de auto-boicote.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dia 81 – 2º dia da Dieta Mental

Hoje eu quase tive uma recaída, em pleno 2º dia da minha Dieta Mental.

Consegui acordar 3 horas antes do costume e super energizada! Tomei um belo de um banho, cuidei do rosto e resolvi encarar mais uma das tarefas que a senhorita procrastinação aqui andava empurrando com a barriga por meses. Eu sou mega alérgica a metal, juro pra vocês, até ouro e prata me empipocam inteira. Há anos vivo sem poder usar brincos, pulseiras, relógios de pulso até! E uma das piores coisas que alguém que tem uma alergia assim pode fazer é se depilar com lâmina. E confesso, tenho feito isso. Resultado? Minha pele está toda ressecada, cheia de bolinhas e coçando.

Como a grana tá curta e eu não posso me dar ao luxo de ir até um salão encarar a cera (e como sou meio incompetente para fazer essas coisas em casa) resolvi tirar lá do fundo do armário meu querido aparelhinho elétrico de depilação. Antigamente eu tinha a paciência de usá-lo toda semana! Hoje em dia ando meio preguiçosa, mas essa manhã vi o absurdo que era começar a cuidar da pele do rosto e esquecer completamente do meu pobre corpinho. Lá fui eu encarar as horas (sim, usar o aparelho dá trabalho) e a dor (sim, dói pra burro)! Mas o resultado.... valeu a pena!

Aproveitando o pique da manhã resolvi encarar a chuvinha chata e ir até o banco pagar umas contas do mês passado que estavam atrasadas. Adivinhem? Depois de aproximadamente 1h de fila, a fofíssima moça do caixa me avisa, em voz baixa claro, que só haviam R$2,90 na minha conta! Gente, eu quase morri de vergonha!!! Por mais absurdo que seja ter vergonha de uma coisa dessas, não me contive, quase tive uma recaída! Sim eu sei que é besteira, todo mundo fica pobre de vez em quando, e a maioria de nós anda bem endividada. Mas uma vergonha tão grande tomou conta de mim, mas tão grande, que meu primeiro pensamento foi sair correndo do banco e atropelar todo mundo no caminho.

Eu juro que teria feito isso numa situação normal. Mas mais do que vergonha pela pobreza iminente, o que eu tive mais vergonha mesmo, foi de mim mesma por estar tendo essa reação. Porque raios eu teria vergonha da moça do caixa? Porque eu deveria me preocupar com o que as pessoas ao me redor pensam de mim? Isso não é uma atitude de alguém que está em Dieta Mental! Então, corajosamente resolvi me obrigar a ficar no banco até a minha vergonha passar. Pedi gentilmente que a moça me passasse o valor das contas atrasadas com os juros, já que vou ter que pagar só na segunda. E olhem só que coisa: enquanto eu conversava com a mulher eu percebi que a minha vergonha foi diminuindo, diminuindo, até quase desaparecer!

Achei estranho, mas assim que ela terminou de me passar os valores e ficamos em silêncio, minha vergonha voltou! Ué, porque enquanto estou conversando consigo deixar de sentir vergonha e quando estou em silêncio não? Fiz um novo teste: pedi para a moça me tirar umas dúvidas sobre transferência de agência bancária. E, adivinhem? A vergonha passou novamente!

Pensando seriamente sobre o caso: é realmente verdade que nossos pensamentos controlam nossos sentimentos? Se eu conseguir ocupar minha mente com outros assuntos, será que consigo sair de uma crise de tristeza, raiva ou ressentimento? Se eu não me permitir pensar em coisas negativas, os sentimentos destrutivos vão perder a sua força?

Será que o controle dos nossos pensamentos e, conseqüentemente, das nossas emoções, pode ser estimulado como um músculo na academia?

Acho que estou vendo uma luz no fim do túnel do auto-boicote!

Lição do Dia: a mesma energia que usamos para cuidar da saúde do nosso corpo pode ser usada para cuidar da saúde da nossa mente.


Escreva para a Vero: eueoslobos@gmail.com

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Janeiro de 2011 – O mês teste e a Dieta Mental

O ano de 2010 foi um ano de muito crescimento interior e conquista de uma boa estabilidade emocional. Eu fiquei muito orgulhosa de mim mesma por ficar um pouquinho mais consciente das minhas emoções e comportamentos e de estudá-los o máximo para me tornar alguém mais inteira. É triste ver que as pessoas ao meu redor têm dificuldade em enxergar essas minhas conquistas, e percebi que esse é o tipo de vitória que eu, e apenas eu mesma, sou capaz de compreender.

Desde a virada do ano me acometeu um desejo súbito de dar um tempo. Dar um tempo dessa constante auto-análise e psicoterapia que estou fazendo comigo mesma. Porque tive esse desejo?

Em primeiro lugar, tudo o que eu tive vontade de fazer no meu recesso foi ficar largada no sofá de pijama o dia inteiro vendo TV. Sei que muita gente pensa que a época das festas é perfeita para viajar, sair, badalar, mas me entendam: eu trabalho com festas! Férias para mim é exatamente o contrário de multidão, baladas e bebidas, ou seja, sofá, pijama e TV. E confesso para vocês: foi maravilhoso!

Em segundo lugar, porque estava mentalmente cansada, do trabalho, do stress do final de ano, dos mil eventos que tive que fazer.

Em terceiro lugar porque tive uma idéia muito louca no ano passado de prestar vestibular. Quando essa idéia veio meu auto-boicote fez o que ele sabe fazer de melhor: loucura! Você está concorrendo com garotinhas de 17 anos que estudam sem parar há anos! Você não deve lembrar nem de uma fórmula simples de matemática! Ninguém passa num vestibular desses sem no mínimo um ano de preparo! Se por um milagre você passar será a mais velha da turma! Quem disse que você já melhorou tanto assim? Provavelmente vai largar o curso como fez com as outras três faculdades que já começou!!

Bom, como vocês perceberam, mesmo eu me sentindo incrivelmente melhor, o meu sistema de alerta contra riscos ainda está aí, firme e forte! Então eu percebi duas coisas: primeiro, que estava na hora de eu decidir se o dominaria, ou se deixaria que ele me dominasse. Segundo, que a minha melhora ainda está na fase inicial e que, se não for consolidada, há grandes chances de um retrocesso.

O que eu fiz então? Me inscrevi no vestibular apenas para provar para meu sistema de alerta que eu posso me rebelar contra ele quando eu bem entender (rsrs). E usei o mês de janeiro para tentar me preparar um pouquinho para ele. E decidi que faria um time off no mês de Janeiro para ver como anda o controle que tenho das minhas emoções.

Peço desculpas por todas as leitoras que vieram até o blog e não encontraram nem uma mensagem de feliz ano novo! Vou semana que vem pedir desculpas para minha terapeuta porque desapareci do seu consultório da mesma forma e pelo mesmo período de tempo que daqui.

E para começarmos os nossos trabalhamos de 2011, proponho um exercício bem bacana que li esses dias por ai. A partir de agora eu entro na semana da Dieta Mental. Ué, tanta gente faz uma dieta de desintoxicação no início de ano devido aos exageros das festas, não é? Pois então. Eu estou precisando de uma dieta mental para desintoxicar a minha mente de todas as porcarias de pensamentos, sentimentos, angústias e ansiedades que eu consumi desde dezembro passado.

Pelos próximos sete dias pretendo me desintoxicar e me preparar para os trabalhos desse novo ano.

O que é proibido na Dieta Mental:

- consumir qualquer tipo de pensamento negativo
- qualquer tentativa de construir um auto-boicote mental
- remoer qualquer remorso ou rancor do passado
- focar nos problemas
- acordar pensando que a última coisa que eu quero fazer é levantar da cama
- fofocar sobre a vida alheia
- desejar mal para alguém (qualquer pessoa, por mais fdp que ela seja)
- pensar que não serei capaz de qualquer coisa

O que é obrigatório na Dieta Mental:

- consumir pensamentos agradáveis
- construir imagens mentais que tragam esperança
- projetar meus amores e carinhos para as pessoas ao meu redor
- focar nas soluções
- acordar de manhã esperando por um dia bacana
- escutar mais do que falar
- ajudar alguém que precise de ajuda
- pensar em novas possibilidades e caminhos

Feliz 2011 pessoal!!!!

Escreva para a Vero: eueoslobos@gmail.com

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Balanço de 2010

Eu gosto de esperar passar o formigamento da alma que me acomete durante a época das festas para fazer um balanço do ano que já passou. Faço isso porque costumo ser influenciada pela energia circundante de ‘metas de ano novo’ e quando vejo já estou saindo por aí fazendo mil listinhas de coisas que quero mudar e que, convenhamos, são muito óbvias... Ah, eu quero cuidar do meu peso, passar os cremes direitinho, comer melhor, fazer exercícios físicos, mudar de emprego, ganhar mais dinheiro... Mas vamos lá, quem não quer?

Então decidi que dessa vez não vou ficar colocando metas de ano novo no papel, mas sim, vou fazer um balanço real de coisas que aprendi neste ano, e das coisas que percebi que preciso realmente mudar para ter uma vida com mais qualidade.

Em 2010:

Eu percebi que ter autonomia e independência são as duas coisas mais importantes no mundo para mim. Se não me sinto livre e dona do meu próprio nariz as chances de ter um momento ‘corra lola, corra’ são gigantes. Deixar a anteninha ligada para perceber quais circunstâncias me fazem ter a sensação de perda de liberdade me ajudou muito a fugir de pessoas e situações que me machucam, me acuam ou me deixam claustrofóbica.

Eu aprendi que sou uma das pessoas mais racionais e lógicas que já conheci, mas que, por algum motivo ainda desconhecido, quando estou sob tensão ou pressão, minhas atitudes e decisões são parecidas com as de um animal em cativeiro. Ou seja: eu não sou uma boa ‘decididora’ quando minhas emoções estão afloradas. Tenho que ficar de olho nisso para não deixar que um momento extremamente emocional prejudique o restante da minha vida.

Eu entendi que ter qualidade de vida é muito mais importante para mim do que procurar por segurança e estabilidade. Mesmo estando na contramão do mundo, não posso mais ignorar este fato se eu quiser buscar a minha plena realização. Já sei de antemão que se eu for perder qualidade de vida, uma oportunidade que parece ótima provavelmente vai ser abandonada no meio do caminho...

Eu descobri que é possível aliar duas coisas que antes me pareciam antagônicas: experiências diversas e planejamento de metas. Com suporte adequado é possível planejar uma vida dinâmica, na qual vou poder experimentar coisas novas o tempo inteiro, enquanto fico um passo mais próxima dos meus objetivos.

Eu aceitei que tenho uma carência crônica de cuidados e que um passo para vencer esse constante buraco na minha alma é eu mesma cuidar de mim! Aceitei o fato de que preciso me transformar numa mãe para cuidar de mim mesma.

Eu avaliei a minha trajetória de vida e descobri que existe um padrão acontecendo há tempos: o meu pavor da tal “estabilidade claustrofóbica” me fez auto-boicotar todos os meus planos. Como concretizar meus projetos sem me estabilizar? Ainda procuro uma boa solução.

Eu encarei o fato de que não tenho um bom senso de oportunidade. Não consigo rastrear boas oportunidades e não percebo as que são becos sem saída. Como melhorar isso?

Nada como uma boa análise interior para fechar o calendário não é? Vamos então continuar com o nosso trabalho! Estou grata por 2010 e que venha 2011!

Escreva para a Vero: eueoslobos@gmail.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dia 79 – Eu não vou...

Capítulo 10 – As águas claras: O sustento da vida criativa

Contos: La Llorona, A Menininha dos Fósforos e Os três Cabelos de Ouro
(Link para as três histórias completas no menu à direita)

O rio em chamas

“Complexos psicológicos negativos se erguem e questionam seu valor, sua intenção, sua sinceridade e seu talento. Eles também lhe enviam mensagens no sentido de afirmar inequivocamente que você deve trabalhar para "ganhar a vida", fazendo coisas que a deixam exausta, que não lhe permitem nenhum tempo para criar, que destroem sua vontade de imaginar. Alguns dos castigos e das sabotagens preferidos dos complexos malévolos perpetrados contra a criatividade das mulheres giram em torno da promessa feita ao self da alma de que terá "tempo para criar" em algum ponto no futuro remoto.”

Nossa, e como os nossos complexos psicológicos negativos nos torturam não é? Percebo agora que há anos eu tenho acreditado em suas mensagens. Não é uma loucura que eu não permita que ninguém ao meu redor julgue os meus sonhos, mas permito que o complexo negativo dentro da minha psique o faça?

No final desse ano eu comecei a estudar um pouco mais sobre a PNL (Programação Neuro Lingüística) que estuda os resultados na nossa vida prática de mudanças no padrão dos nossos pensamentos. A lógica é simples: pensamentos geram sentimentos, sentimentos geram comportamentos, comportamentos geram ações, ações geram resultados. A maior parte das pessoas empaca exatamente na fase dos pensamentos. Se escutarmos os complexos negativos de nossa psique vamos gerar sentimentos ruins de impotência e falta de capacidade, que vão nos fazer auto-boicotar nossas ações e gerar resultados que não queremos.

A primeira vez que escutei sobre isso pensei ‘Nossa, mas é óbvio! É só mentalizar nas coisas que quero parar de fazer!’. Mas de nada adiantou... Porque?

Um dos exercícios mais básicos da PNL nos mostra qual o grande problema das frases negativas: nos sempre fazemos o que nos dizem para não fazer. Exemplo:

Não pense num urso polar!!!

Automaticamente pensamos num urso polar. Nosso cérebro não entende o não no começo da frase, então fazemos exatamente o contrário do que falamos. Por muito tempo eu tentei variadas técnicas de mudança de pensamento e todas deram errado. Eu ficava repetindo mentalmente: ‘não vou focar nos problemas’, e focava cada vez mais nos problemas, ‘eu não vou ficar triste’, e automaticamente eu me lembrava de porque estava triste e ficava triste de novo.

Então eu comecei a entender que eu deveria formular essas ordens mentais de uma forma diferente: transformá-las em frases positivas de afirmação. Vou contar para vocês como estou destruindo algumas mensagens do meu complexo negativo:

Enquanto você não tiver um diploma ninguém vai te dar valor (complexo negativo)
Eu não vou acreditar que meu valor se reduz a um diploma (foco no diploma)
Meu aprendizado é o que tem mais valor (foco no aprendizado)

Você nunca vai ganhar dinheiro porque seu currículo é todo retalhado (complexo negativo)
Eu não vou subestimar o meu currículo (foco no currículo)
Meu currículo conta a minha história e eu tenho orgulho dela! (foco na minha história)

Primeiro compre o seu apartamento, depois faça o que gosta (complexo negativo)
Eu não considero a compra de um apartamento uma meta (foco na compra do imóvel)
Minha meta são as experiências de vida (foco nas experiências de vida)

Você é irresponsável (complexo negativo)
Eu não sou responsável com o que não faz sentido para mim (foco em não ser responsável)
Eu sou responsável com o que acredito (foco em ser responsável)

Você não é uma pessoa criativa (complexo negativo)
Eu só não sou criativa com a artes (foco em não ser criativa)
Eu sou criativa na resolução de problemas (foco em ser criativa)

Pare de sonhar e comece a juntar dinheiro (complexo negativo)
Eu não vou focar no dinheiro (foco no dinheiro)
Dinheiro para mim é conseqüência de um trabalho bem feito (foco no trabalho)

Embora ainda não esteja vendo resultados concretos (porque afinal eles não caem do céu apenas com a boa vontade) já estou sentindo um grande alívio emocional. Ainda não consegui modificar 100% dos meus comportamentos e ações, mas já estou sentindo uma paz crescer dentro de mim na medida em que os complexos negativos perdem a sua força.

“Pode acontecer que as vozes sussurrem, "Só se você terminar o doutorado, sua obra será decente. Só se você for elogiada pela rainha; só se você receber o prêmio tal, só se sua obra sair na revista tal, só se, só se, só se." Essa atitude de condicionar o impulso criativo equivale a entupir a alma com alimentos que não nutrem. Uma coisa é receber qualquer tipo de comida, outra bem diferente é ser realmente nutrida. Com enorme freqüência, a lógica do complexo é extremamente falha, muito embora ele tente convencê-la do contrário.”

“No processo de criação envenenado ou paralisado, a mulher oferece ao belo self da alma "comida de mentirinha". Ela tenta ignorar a condição do espírito. Assim, ela consegue freqüentar um "seminariozinho" aqui, um "cursinho" ali, arranja um "tempinho" para ler mais adiante. Mas, no final das contas, falta a substância. A mulher não está enganando ninguém a não ser a si mesma.”


Lição do Dia: destruição em massa dos complexos negativos

Pendências: separando o meu foco de verdade do foco dos meus complexos negativos.

Leia os três contos: La Llorona, A Menininha dos Fósforos e Os três Cabelos de Ouro: http://querocorrercomoslobos.blogspot.com/p/os-tres-contos-la-llorona-menininha-dos.html

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dia 71 – Onde fica o lar?

Capítulo 9 – A volta ao lar: O retorno ao próprio Self

Conto: Pele de Foca, Pele da Alma
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A separação, o mergulho

Ninguém poderia explicar com mais belas palavras do que a própria Clarissa:

“A resposta exata à pergunta de onde fica o lar é mais complexa... mas de certo modo ele fica num lugar interno, um lugar em algum ponto do tempo, não do espaço, onde a mulher se sinta inteira. O lar é onde um pensamento ou sentimento pode ser mantido em vez de sofrer interrupções ou de ser arrancado de nós porque alguma outra coisa exige nosso tempo e atenção. E, pelos séculos afora, as mulheres sempre descobriram inúmeros meios de chegar a ele, de criá-lo para si, mesmo quando seus deveres e afazeres pareciam intermináveis.”

“É correto e conveniente que as mulheres procurem, liberem, conquistem, criem, conspirem para obter e afirmem seu direito à volta ao lar. O lar é uma sensação ou uma disposição constante que nos permite vivenciar sensações não necessariamente mantidas no mundo concreto: o assombro, a imaginação, a paz, a despreocupação, a falta de exigências, a liberdade de estar afastada da tagarelice constante. Todos esses tesouros do lar deveriam ficar armazenados na psique para seu uso futuro no mundo objetivo.”

“Os veículos com os quais e através dos quais a mulher chega ao lar são muitos: a música, a arte, a floresta, o vapor do mar, o nascer do sol, a solidão. Todos eles nos levam de volta a um mundo interior benéfico que tem idéias, organização e sustentação próprias. Não há só tempo para contemplar, mas também para aprender e descobrir o esquecido, o enterrado, o que está fora de uso. Ali podemos imaginar o futuro e também nos debruçar sobre os mapas de cicatrizes da psique, descobrindo o que levou ao quê e onde iremos em seguida.“

“O que posso lhe dizer de mais importante quanto ao momento certo desse ciclo de volta ao lar é o seguinte: quando está na hora, está na hora. Mesmo que você não se sinta pronta, mesmo que algumas coisas fiquem por fazer, mesmo que hoje seja o dia da sua sorte grande.“

“Todas nós temos nossos métodos preferidos para nos convencer a não tirar o tempo necessário para a volta ao lar. No entanto, quando resgatamos nossos ciclos instintivos e selváticos, ficamos sob a obrigação psíquica de organizar nossa vida para que possamos vivê-la cada vez mais em harmonia. Discussões sobre a conveniência e a inconveniência da despedida para a volta ao lar são inúteis. A verdade é que, quando chegou a hora, chegou a hora.”

“Algumas mulheres nunca voltam ao lar e, em vez disso, passam a vida a la zona zombi, na faixa dos zumbis. A parte mais cruel desse estado sem vida reside no fato de a mulher funcionar, caminhar, falar, agir, até realizar muitas coisas, mas sem sentir os efeitos do que não deu certo. Se ela sentisse, a dor faria com que imediatamente se voltasse para corrigir a situação.”

“No entanto, não é isso o que ocorre. A mulher nesse estado segue em frente com dificuldade, com os braços estendidos, defendendo-se da dolorosa perda do lar, cega e, como dizem nas Bahamas, "ela se tornou sparat", querendo dizer que sua alma partiu sem ela e a deixou com uma sensação de não ser inteiramente sólida, por mais que se esforce. Nesse estado, as mulheres têm a estranha impressão de que estão realizando muito, mas com muito pouca satisfação. Elas estão fazendo o que achavam que deviam fazer, mas não se sabe como o tesouro nas suas mãos se transformou em pó. Essa é a percepção adequada que a mulher deve ter nesse estado. O descontentamento é a porta secreta que leva a mudanças significativas e revigorantes.”

“Para algumas, o lar corresponde à dedicação a algum tipo de iniciativa. Algumas mulheres começam a cantar depois de anos em que não encontravam razão para fazê-lo. Elas se comprometem a aprender algo que há muito tempo tinham vontade de aprender. Elas procuram entrar em contato com pessoas e coisas que pareciam perdidas na sua vida. Elas reassumem sua voz e começam a escrever. Elas repousam. Elas transformam algum cantinho do mundo no seu próprio canto. Elas levam a cabo decisões imensas ou intensas. Elas fazem coisas que deixam sua marca.”

“Se você tiver de lutar cada vez que quiser ir, seus relacionamentos mais íntimos podem precisar ser cuidadosamente avaliados. Se possível, é melhor demonstrar ao seu pessoal que você estará diferente quando voltar, que você não os está abandonando, mas se reaprendendo e trazendo a si mesma de volta à sua verdadeira vida. Especialmente se você for artista, cerque-se de pessoas que sejam compreensivas para com sua necessidade de volta ao lar, pois é provável que você vá precisar, com maior freqüência do que a maioria das mulheres, minar o terreno psíquico do "lar" a fim de aprender os ciclos da criação. Portanto, seja breve, porém firme. Minha amiga Normandi, uma escritora talentosa, diz que já tem prática e resume tudo a "Estou indo". Essas são as melhores palavras possíveis. Diga-as. E vá embora.”

“Mulheres diferentes têm critérios diferentes para o que consiste num período útil e/ou necessário passado no "lar". A maioria de nós nem sempre pode ficar lá tanto tempo quanto quer. Por isso, ficamos o tempo que podemos. De vez em quando, ficamos lá o tempo que precisamos. Em outras ocasiões, ficamos por lá até sentirmos falta do que deixamos. Às vezes mergulhamos, saímos, mergulhamos de novo, rapidamente. A maioria das mulheres de volta aos ciclos naturais alternam entre essas opções, procurando equilibrar as circunstâncias e a necessidade. Uma coisa é certa. É uma boa idéia ter uma pequena valise pronta junto à porta. Para uma eventualidade.”


Lição do Dia: lembrando das coisas que há muito tempo tenho vontade de aprender. Porque não agora?

Pendências: pensando em como posso colocar essas coisas que sempre quis fazer na minha vida prática e financeira.

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dia 64 – Quando perdemos uma oportunidade

Capítulo 9 – A volta ao lar: O retorno ao próprio Self

Conto: Pele de Foca, Pele da Alma
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A perda do sentido da alma como iniciação

Nesse final de semana eu esperava a resposta de uma grande oportunidade profissional. E recebi a resposta negativa. Eu me preparei tanto, mas tanto para essa oportunidade, me envolvi, me dediquei, dei o meu máximo, e... resposta negativa! Eu tenho certeza que se não tivesse colocado todas as minhas expectativas nessa única resposta eu não teria ficado do jeito que eu fiquei. Mas sabe aquela sensação de que, quando nada na sua vida está funcionando, aquilo pode ser a única chance de sair do poço? Pois é... Não deveria ter pensado assim, mas eu pensei. E criei sonhos, e me vi os realizando, e de algum lugar de dentro de mim veio uma esperança imensa de que agora tudo entraria nos trilhos novamente.

Quando eu recebi a notícia a primeira coisa que fiz foi me permitir ficar triste. Bem tristezinha. Me dei um final de semana inteiro para ficar triste e pensar a respeito do que aconteceu. A segunda coisa que fiz foi tentar entender o ocorrido. Não tentar entender o ‘não’, porque ‘não’ é não, e se não podemos fazer nada para mudar, só nos resta aceitar. Mas o que eu fiz foi tentar entender o que esse ‘não’ vai representar para mim.

Como já dizia Carlos Drummond de Andrade: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” E eu, como uma mulher que se comprometeu a ficar de olho no próprio self, não posso optar por sofrer. Então, vou dividir com vocês algumas coisas que pensei nesse final de semana.

Quando recebi a notícia senti diversas emoções misturadas: me senti derrotada, me senti uma fracassada, tive vergonha do meu desempenho, fiquei brava comigo mesma. Foi difícil, mas eu consegui entender que esses sentimentos vinham todos de dentro da minha própria cabecinha. Me isolei do mundo porque estava me sentindo pior que o fungo do cocô do cavalo do bandido.

Mas será que os outros estavam me vendo assim também? Uma vez uma amiga me disse que eu me destacava pela minha capacidade de começar a vida do zero, uma vez após a outra. Eu vivia levando tombos na vida, mas me levantava e continuava andando. Será que ela tem razão? Quando olho para o meu passado vejo que os meus erros foram muito mais numerosos que os meus acertos. Vi que recebi mais ‘não’ da vida do que ‘sim’. Vi que tive mais planos frustrados do que realizados. E aí penso: não é que aqui estou eu tentando novamente?

De fato, ter tido a coragem depois de tudo o que já me aconteceu de dar a minha cara à tapa novamente conta a meu favor, e não contra mim. Se eu conseguir entender que ter tentado já me torna forte e capaz, esses sentimentos de derrota não vão ter terreno fértil para crescer.

No post do ‘Dia 5 – Decapitando nossos sonhos’ eu escrevi sobre o maldito predador que existe dentro de nossas psiques, que decapita nossos projetos e sonhos. Esse predador interno é aquele que nos estimula a nos auto-boicotar, é aquele que nos faz desistir de tudo o que acreditamos, é o sistema de ‘proteção’ mal comportado da nossa psique, que tenta nos impedir de nos ariscar.

Nesse exato momento o meu predador interno está gritando a plenos pulmões frases do tipo: você não é capaz! Não vai conseguir arrumar a sua vida! O que vão pensar de você? Não deveria nem ter tentado! Porque achou que conseguiria? Porque você não desiste? Você não é tão boa como acredita! Desista!!

Agora, porque raios eu estou permitindo que ele grite comigo, e ficando triste com as coisas que ele me joga na cara é a grande questão. Se esse predador interno faz parte da minha própria psique, como é que eu não consigo controlá-lo? Descobri que ele se alimenta dos meus próprios sentimentos. Enquanto eu achar que sou uma fracassada, eu vou acreditar fielmente nisso! Enquanto eu concordar que não sou capaz, vou continuar vivendo como se eu não fosse. Então, rápida lição do final de semana: eu não posso concordar com nenhuma dessas afirmações e não posso permitir que a minha própria psique tente me convencer delas.

E a frase que eu mais repeti foi a lamentação ‘Porque estou passando por isso novamente?’. Pára tudo, como assim passar por isso? Às vezes fico tão frustrada comigo mesma! Vero, você realmente acha que receber um ‘não’ é uma catástrofe? Então querida, reveja o seu conceito de catástrofe! Você tem um emprego, que pode não ser o melhor do mundo, mas é o que sustenta a sua vida, paga suas dívidas e te dá prazer. Você tem amigos e um namorado que te amam e te apóiam incondicionalmente, torcendo por você em cada desafio. Você pode estar super apertada de grana, mas não passa nenhuma dificuldade. Tá reclamando do quê?

Se passar por isso eu me refiro ao sofrimento vindo da frustração, então está na hora de decidir simplesmente não sofrer. Eu decidi: não vou sofrer por causa disso! E ponto. Antes de me tornar uma heroína preciso ser uma guerreira, e uma guerreia é aquela que enfrenta as lutas e batalhas da vida. Portanto preciso parar de achar que estou lutando contra o mundo mau e que as coisas são mais difíceis para mim do que para os outros. Como já dizia Clarissa, um lobo não reclama quando é atacado ‘Ah não, de novo não!’, ele simplesmente reage e continua com a sua vida.

“Ao trabalhar com histórias de "cativeiro" e de "roubos de tesouros" bem como com a minha experiência de análise de muitos homens e mulheres, cheguei à conclusão de que ocorre no processo de individuação de praticamente todo mundo pelo menos um caso de roubo significativo. Algumas pessoas o caracterizam como o roubo da sua "grande oportunidade" na vida. Os apaixonados o definem como o roubo da alma, uma apropriação do espírito da pessoa, um enfraquecimento do sentido de identidade. Outros descrevem o fato como uma distração, uma ruptura, uma interferência ou interrupção de algo que lhes era vital: sua arte, seu amor, seu sonho, sua esperança, sua crença na bondade, seu desenvolvimento, sua honra, seus esforços.”

“A maior parte do tempo, esse roubo crucial se abate sobre a pessoa vindo de onde ela não espera. Ele cai sobre as mulheres pelos mesmos motivos que ocorrem nessa história do povo inuit: em virtude da ingenuidade, da percepção falha quanto às motivações dos outros, da inexperiência em projetar o que poderia acontecer no futuro, da falta de atenção a todas as pistas do ambiente e em virtude de o destino estar sempre entretecendo lições em sua trama.”

“Seria um erro atribuir esses estados apenas à juventude. Eles podem ocorrer em qualquer um, independente da idade, da filiação étnica, do grau de instrução ou mesmo das boas intenções. Está claro que o fato de ser roubado evolui definitivamente para uma misteriosa oportunidade de iniciação arquetípica para aqueles que se vêem enredados na situação... o que se aplica a quase todo mundo.”


Lição do Dia: persistência.

Pendências: parando de lamentar e começando a pensar num Plano B.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia 62 – Pequeno manual para um Período Sabático

Capítulo 8 – A preservação do Self: A identificação de armadilhas, arapucas e iscas envenenadas

Conto: Os Sapatinhos Vermelhos
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O retorno à vida feita à mão, a cura dos instintos feridos

Aposto que muitas de vocês já ouviram o termo Período Sabático. Esse termo vem lá do Antigo Testamento e se referia a um período a cada sete anos em que a terra ficava em repouso e sem cultivo, para depois iniciar mais um ciclo de fertilidade. Além disso era como chamavam os sábados para os judeus, o dia da semana em que eles paravam de trabalhar para cuidar da vida religiosa.

Nos dias de hoje o Período Sabático significa uma pausa em todas as suas tarefas pessoais, familiares e profissionais, para reavaliar suas necessidades, quais são as coisas importantes para você, e recuperar a sua qualidade de vida. O principal objetivo de quem realiza um Período Sabático é a reavaliação de sua vida pessoal. Não importa a duração que ele tenha, é o tempo que tiramos para colocar a vida nos trilhos novamente.

Esse período que ela fala é exatamente o tempo que vamos tirar parar de correr para completar nossas tarefas, para parar de trabalhar para pagar as contas, parar de se matar por metas financeiras e profissionais. É o período que vamos parar de fazer tudo que tenha relação com o mundo ou com os outros e nos voltar apenas para nós mesmas. Quem eu sou? O que eu quero? Do que sou feita? Que vida eu quero ter? São todas as perguntas que vamos tentar buscar respostas nesse período de afastamento

Está na hora de você começar o projeto psicológico de voltar para o seu self.

É claro que não somos todas que temos disponibilidade e dinheiro para sair viajando pelo mundo ou fazer um retiro espiritual. O que eu quero propor para vocês é outra forma de conseguir esse afastamento. É o que eu estou fazendo desde meados do ano passado e que tomou forma com o lançamento desse blog. O que eu fiz foi: deixei tudo em stand by. E quando digo tudo, quero dizer literalmente: TUDO.

Pause

Quando você permite deixar a sua vida concreta e material em stand by, automaticamente você vai parar de correr. Você vai perder a sensação de obrigação relacionada aos seus objetivos, porque você não estará mais trabalhando no desenvolvimento delas. Você vai apertar a tecla do PAUSE da sua vida e deixá-la assim pelo tempo que precisar. Vamos combinar: ou você continua com sua rotina louca ou estressante, ou você pausa para repensar na sua essência. As duas coisas juntas não dá. Tenha dois mantras nesse período: ‘Eu não preciso fazer nada’ e ‘eu não devo fazer coisa nenhuma’. Os outros são cheios de nos falar que precisamos decidir tal coisa, que devemos fazer tal outra. Não! A única coisa que precisamos e devemos fazer é cuidar de nós mesmas. Só, mais nada.

O primeiro passo é fazer uma lista de coisas que são estritamente necessárias para que você continue vivendo. No meu caso havia apenas uma coisa que eu não poderia parar de fazer: trabalhar. Reuni todas as minhas contas e decidi deixar apenas as essenciais. Voltei para a casa da minha mãe e larguei o apartamento que vivia. Embora pareça mais estressante voltar para a casa dos pais, eu precisava largar o papel de ‘dona de casa’ e brecar o aumento das minhas dívidas. Eu não me relaciono bem com a minha mãe, por isso deixei bem claro que precisaria que ela me recebesse em sua casa para conseguir ‘reorganizar a minha vida’. Por mais difícil que ela seja como mãe, tem coisas que mãe não pode negar.

Como a única coisa que eu não poderia parar de fazer era trabalhar, me certifiquei de que o trabalho em que eu estava era estável e me dava um mínimo de renda para pagar as contas básicas: alimentação, convênio médico e transporte. Todo o restante eu considerei supérfluo. Me propus também a ficar no meu atual emprego pelo tempo que durasse esse meu retiro, por pior que ele fosse, por mais tédio que eu sentisse, eu ficaria. Tranquei a faculdade, mas já sabendo que eu não iria voltar. Pensaria nisso depois.

Primeiras atitudes

Depois disso veio a idéia de procurar ajuda psicológica. É claro que nem todo mundo precisa ir para a terapia, mas nada como um profissional da área para te ajudar nessa jornada. Lembro até hoje da minha primeira consulta. Eu virei para a terapeuta, que me via pela primeira vez na vida, e disse: ‘Estou aqui porque a minha vida está um caos e nem sei por onde começar a arrumar. Não tenho o perfil de precisar de terapia a vida inteira. Preciso da sua ajuda para me reorganizar, deixar minha psique saudável, e já partir para a próxima etapa!’. ‘Quanto tempo você imagina que dure esse processo?’, ela me perguntou. Eu respondi na lata: ‘Um ano no mínimo, dois anos no máximo!’. No mês passado eu completei um ano de terapia, e vamos embora para o segundo ano.

Tente bloquear o maior número de influências externas: conceitos culturais, aspectos sociais, dogmas religiosos. Não permita que nada, além de você, influencie na sua vida. Se isole psicologicamente o máximo possível do mundo externo: as respostas não estão lá fora, estão dentro de você.

Limpe tudo. Limpe sua casa inteira, se livre de todas as tranqueiras que não usa mais. Doe e jogue fora absolutamente tudo que você não usa há mais de um mês. Abra seu armário de produtos de beleza: como mulher junta um monte de plásticos cheios de creme, não é? Jogue fora o que passou da validade, dê para as amigas ao que você testou e não gostou, se livre daquele creme incrível que você nunca lembra de passar. O mesmo para seus papéis, para seus livros, para o seu guarda-roupa, para a sua cozinha, armários de mantimentos, tudo. Não tenha pena de jogar fora o que já foi importante para você no passado. A única coisa importante do seu passado é a sua experiência de vida. Limpe e organize todos os espaços físicos que você freqüenta.

A mudança para a casa da minha mãe foi perfeita para isso. Hoje meus pertences pessoais se resumem a uma caixa 30x30cm, onde estão os produtos de higiene que eu realmente uso, e que são necessários para uma rotina de beleza prática, simples e eficiente. Meu guarda-roupa se resume as mudas de roupa necessárias para apenas uma semana. Eu cheguei num ponto onde nem as roupas que eu usava me definiam. Deixei apenas as peças básicas, para uso diário, lisas, de cores neutras. No final de uma semana eu lavo as roupas, e recomeço.

Por último, se você ainda não tem, está na hora de organizar um ambiente para seu trabalho pessoal. Um lugar que seja apenas seu, que você se sinta confortável e isolada. Onde pode deixar seus pensamentos fluírem e sua criatividade funcionar. Pode ser um pequeno jardim no seu apartamento, um escritório, um cantinho da sala. Nele é que vão acontecer os seus mais importantes trabalhos psíquicos.

Os Outros

Logo depois eu terminei o meu então atual relacionamento amoroso. Estava saindo há três meses com um cara muito bacana, mas que eu não sentia grandes emoções, e sabia que estava meio que esperando alguma coisa acontecer. Um relacionamento meia-boca era a última coisa que eu precisava. Então simplesmente terminei, liguei para o meu ex-namorado que ainda amava e pedi para voltarmos. Voltamos. Viver aquele amor era uma das pendências emocionais que eu tinha, e eu também sabia que ele seria o parceiro ideal para me apoiar nessa jornada. Mas, se você estiver sozinha quando iniciar seu período sabático, o melhor a fazer é realmente permanecer sozinha.

Fique de olho nos seus amigos mais próximos: se eles não vibram na mesma sintonia que a sua, se só reclamam e se fazem de vítimas, se são extremamente civilizados, se eles se iludem, ou estão perdidos, não são a companhia ideal para você. Procure ficar perto apenas das pessoas interessantes, prósperas e que te apóiem incondicionalmente. São elas que vão te ajudar a usar o máximo do seu potencial nesse período.

Não perca tempo com eventos sociais desnecessários, com encontros que você não está tão a fim de ir, com pessoas enfadonhas e eventos que envolvem conversas superficiais. Use seu cérebro e seu tempo para coisas mais úteis.

É preciso que as pessoas ao seu redor saibam que você está tirando um período sabático e deixando as coisas em stand by. Elas vão se assustar, se chocar, e até tentar convencê-la de que é uma perda de tempo. Ignore e diga que a decisão está tomada e é irrefutável. Não importa o quanto seja forte a pressão externa, não tome nenhuma decisão de grande porte nesse momento. A idéia dessa pausa é exatamente descobrir quem você é, então não é a hora de decidir os próximos passos.

Organize

Logo em seguida eu fui tentar parar as bolas de neves: negociar dívidas e diminuir consumo. Organize suas finanças e reveja os seus gastos. Pare absolutamente de consumir o que não for necessário. Não, um lindo casaco vermelho não é o que você mais precisa nesse momento. Se for gastar seu dinheiro, gaste com experiências que te agreguem valor e prazer.

É hora também de terminar relações que não valiam mais a pena, discutir as relações que ainda valiam, resolver os problemas pessoais, os impasses, os perdões, as brigas. Falar tudo o que estava guardado no peito, fazer declarações de amor, ou escrever cartas de término.

Fique longe de críticas, julgamentos e opiniões alheias. Não se interesse demais pela vida dos outros, lembre-se que os problemas deles são deles, e você tem os seus próprios para cuidar. Não permita que as pessoas questionem, critiquem ou julguem sua vida. Deixe claro que a sua vida é problema seu, e de mais ninguém.

O que fazer

Se expresse. Pinte, cante, dance, interprete, escreva. A expressão artística é a melhor forma de lidar com os sentimentos mais profundos da alma. Leia e estude. Sobre filosofia, sociologia, psicologia, artes. Leia ‘Mulheres Que Correm Com Os Lobos’ e coloque em prática as suas lições. Analise sua vida, reflita, pense, entenda, mude.

Resolva as pendências do passado. Conflitos emocionais, traumas, feridas. Deixe tudo cicatrizar. Decida nunca mais reclamar, se queixar ou se fazer de vítima. Entenda as coisas ruins que aconteceram e as aceite. Acabe com os fantasmas da sua vida. Agradeça pelas boas coisas que já viveu.

Você tem todo o direito de parar sem saber o que vai fazer nesse tempo. Ele vai servir para você se reconectar aos seus instintos, saber quem você é, o que quer e para onde vai. Não faça metas, apenas sinta novos desejos. Tire da gaveta antigos planos e sonhos. Se permita ter vontade de fazer coisas novas. Decida ser a heroína da sua própria vida!

Se transforme: pare de ter comportamentos que não são mais úteis na sua vida. Reveja o seu modo de falar, de pensar, de agir, de reagir. Fiquei de olho nos seus sentimentos e, principalmente nos seus pensamentos. Pare com o auto-boicote! Organize a sua rotina, os seus horários e as suas tarefas.

Dê uma atenção especial para seu corpo: como anda seu sono, sua alimentação, sua saúde seus dentes? Faça um check up. Os últimos tempos de privação podem ter trazido danos também para o seu corpo.

E agora?

Agora espere

Nenhuma solução mágica vai aparecer. Você não vai dormir como uma escrava e acordar como uma loba. Espere. Toda essa transformação vai acontecer aos poucos, dia após dia. Só lembre de continuar firme e forte durante todo esse período. Vá resolvendo as pendências uma a uma, devagar, sem pressa nem ansiedade.

E o mais importante: não tenha hora para acabar. Pode durar um mês, seis meses, um ano, cinco anos. Não importa! Espero, dê tempo ao tempo e os insights virão! Você estará dando espaço para que sua alma se cure.

Fareje, procure, estude, seja curiosa, se deixe levar para todos os lados que seu instinto quiser. Você vai achar as respostas que está procurando. Você vai se tornar a mulher que quer ser. As grandes idéias vão vir naturalmente. Quando perceber, as grandes decisões já estarão tomadas.

“Em termos psíquicos, é bom criar um local intermediário, uma estação secundária, um lugar bem-escolhido, quando se escapa da fome. Não é demais tirar um ano ou dois, para avaliar os nossos ferimentos, procurar orientação, ministrar os medicamentos, meditar sobre o futuro. Um ano ou dois é um tempo limitado. A mulher braba é aquela que está tentando voltar. Ela está aprendendo a acordar, a prestar atenção, a parar de ser ingênua, desinformada. Ela apanha a vida nas próprias mãos. Para reaprender os instintos femininos profundos, é essencial, para começar, que se veja como eles foram destituídos.”


Lição do Dia: permanecendo firme e forte no meu período sabático.

Pendências: mais um desequilíbrio financeiro.

Leia o conto Os Sapatinhos Vermelhos completo: http://querocorrercomoslobos.blogspot.com/p/os-sapatinhos-vermelhos.html  

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